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22.03.2010

O hábito de poupar no Rio Grande do Norte

 

A população do Rio Grande do Norte mostra-se cada vez mais interessada em aplicar parte de seus rendimentos em poupança, fugindo do consumo imediato para criar uma expectativa em torno de uma compra futura (formação e acúmulo de patrimônio), para se valer de uma opção de aplicação financeira fácil e de liquidez imediata ou, simplesmente, para poder dispor, num futuro incerto e não programado, de uma reserva constituída ao longo dos anos. De acordo com dados do Banco Central, em final de 2009, havia cerca de R$ 2,64 bilhões depositados em instituições bancárias no Rio Grande do Norte ou – considerando a estimativa do IBGE de população para 2009, de 3.137.541 habitantes no Estado – cada cidadão norte-riograndense iniciou este ano com uma aplicação, per capita, da ordem de R$ 841,57. Isto representa o 3º melhor nível de poupança em todo o Nordeste, condição esta alcançada em função do crescimento econômico dos últimos anos, impulsionado pelos investimentos estrangeiros e pelo o turismo internacional que, embora em queda, recentemente, deixou marcas importantes na economia local. Na seqüência dos trabalhos do Observatório, este terceiro estudo avalia o desempenho das aplicações em poupança no Rio Grande do Norte, em comparação com seus estados vizinhos do Nordeste e já sob a ótica do impacto da crise financeira internacional do último trimestre de 2008.

 
 
 
 
O HÁBITO DE POUPAR NO RIO GRANDE DO NORTE
 
 

         A população norte-riograndense manteve sua propensão a poupar nesses últimos anos, segundo os números apresentados quanto ao volume de depósito em poupança entre os anos 2005 e 2009, de acordo com informações do Banco Central, apesar de uma fraca redução do peso do Rio Grande do Norte no contexto nacional. Na Tabela 1 verificamos esta oscilação na participação do Estado, em índices percentuais, e o comparativo com os demais estados do Nordeste sobre o total de depósitos em poupança no Brasil:

 

TABELA 1 – DEPÓSITO EM POUPANÇA NOS ESTADOS DO NORDESTE EM RELAÇÃO AO BRASIL (EM %)

ANO
AL
BA
CE
MA
PB
PE
PI
RN
SE
Nordeste
2005
0,68
3,46
2,11
0,81
0,89
2,50
0,66
0,84
0,71
12,66
2007
0,66
3,55
1,91
0,89
0,94
2,49
0,64
0,86
0,71
12,66
2009
0,68
3,79
1,98
1,02
0,95
2,61
0,68
0,83
0,73
13,28
FONTE: Banco Central

NOTA: relativo ao mês de dezembro de cada ano; elaboração própria

 

         Observa-se que o crescimento da região Nordeste não foi uniforme em todos os seus Estados, pois se por um lado o Ceará reduziu mais fortemente sua participação no quadro nacional, Alagoas, Piauí e Sergipe mantiveram praticamente inalteradas, com crescimento constatado na Bahia (o mais expressivo), Maranhão, Paraíba e Pernambuco. Do período de quatro anos aqui analisados constata-se que, no Rio Grande do Norte, a redução encontrada até dezembro de 2009 foi pouco significativa, não se traduzindo em nenhuma distorção efetiva entre ritmos de crescimento com os estados vizinhos.

         Mas, qual o objetivo da poupança?

         A poupança pode ser definida como parte da renda dos cidadãos que não é destinada ao consumo imediato e, por isso, classificada por alguns economistas como “não-consumo”. Mas, na verdade, essa definição é mais acadêmica, visto que, para o cidadão comum o ato de poupar é apenas um diferimento da idéia de consumo; isto é, quem está poupando hoje está aplicando parcela de sua renda/salário para um posterior consumo, seja na condição de investimento (aquisição de casa própria ou veículo, por exemplo), na condição formação de receita extra (para aquisição de um bem ou para uma viagem, por exemplo), seja simplesmente na condição de formação de capital próprio para “dias futuros” incertos/imprevisíveis (redução salarial, perda de emprego ou até mesmo aposentadoria).

         Mas, qualquer que seja a variação teórica discutida nos livros de Economia, não haveria crescimento de depósitos em poupança se a economia estivesse em dificuldade, pois, certamente, todos ou boa parte da população utilizariam o seu rendimento para consumo imediato em função das necessidades mais imediatas e importantes em termos de sobrevivência, visto que pouco “sobraria” para poupar. Por outro lado, em complemento, uma queda – se de fato efetivamente expressiva – nos níveis de poupança afetaria diretamente o cenário nacional, visto que isto implicaria em redução da oferta de capital para investimento; afinal, entre outros ativos, é através dos depósitos bancários que as instituições financeiras podem também captar recursos para oferecer como empréstimos e que, justamente, transformam-se em fonte de capital para os investidores (vale ressaltar também que, no Brasil, a captação de recursos via poupança tem destino privilegiado: a construção civil e os programas habitacionais).

         Para os economistas, de acordo com cada corrente teórica seguida, o crescimento da poupança se dará essencialmente em duas condições: para os intitulados neo-clássicos, com o aumento da taxa de juros (é a idéia de que uma taxa de juros atrativa poderá conduzir alguém a poupar agora para obter um rendimento maior e, após, utilizá-lo no consumo) ou para os keynesianos, com a elevação do nível de renda da população (é a idéia de que quanto maior a renda, ou seja, quanto maior os ganhos reais da população, maior a propensão natural a poupar).

         No Rio Grande do Norte, entre 2006 e 2009, como indicado na Tabela 2 seguinte, houve praticamente unanimidade no crescimento do total dos valores depositados, avaliados mês a mês, com apenas seis exceções (isto significa que, nesses meses, o volume de saques foi superior ao volume de depósitos; os valores estão corrigidos monetariamente, mas o Banco Central não informa isoladamente, mês a mês, os saques ou os depósitos): em 2006, nos meses de março e abril, em 2008 no mês de março e no ano de 2009, nos meses de março, abril e outubro.

 

TABELA 2 – VALOR TOTAL DE DEPÓSITOS EM POUPANÇA NO RIO GRANDE DO NORTE (EM R$ 1,00)

 
2006
2007
2008
2009
Janeiro
1.448.393.288
1.698.297.556
2.076.612.842
2.320.683.660
Fevereiro
1.461.746.620
1.709.544.800
2.105.700.998
2.354.762.730
Março
1.448.614.661
1.737.663.362
2.107.687.558
2.345.446.154
Abril
1.432.649.267
1.772.166.203
2.114.073.946
2.340.280.698
Maio
1.434.979.068
1.786.112.126
2.106.402.028
2.361.083.126
Junho
1.458.547.188
1.810.938.953
2.132.129.190
2.381.054.540
Julho
1.508.288.937
1.852.207.366
2.172.592.449
2.463.442.476
Agosto
1.522.458.948
1.885.878.562
2.196.969.202
2.485.398.395
Setembro
1.549.573.223
1.906.557.762
2.211.601.114
2.505.066.920
Outubro
1.555.509.675
1.910.851.570
2.213.685.219
2.503.495.033
Novembro
1.587.748.557
1.926.018.060
2.230.694.105
2.543.562.479
Dezembro
1.663.778.766
2.021.038.344
2.300.162.651
2.640.455.317
FONTE: Banco Central
NOTA: elaboração própria
 

         Avaliado o desempenho geral dos depósitos em poupança no Rio Grande do Norte, entre 2006 e 2009, houve um considerável aumento destes valores, da ordem de 82,30%, atingindo a marca de aproximadamente R$ 2,6 bilhões em valores depositados. No Brasil, esse índice de crescimento esteve um pouco acima, atingindo a marca de 89,94% e, no Nordeste, de melhor desempenho ainda, a evolução foi de 97,83% neste mesmo período. Em todas essas avaliações é possível verificar uma melhora no nível de renda da população brasileira; numa rápida comparação com índices oficiais, constatamos entre janeiro de 2006 e dezembro de 2009:

·         INPC – 19,85 %

·         IGP-M – 19,64 %

·         Poupança no RN – 82,30%

·         Poupança no Nordeste – 97,83 %

·         Poupança no Brasil – 89,94 %

         Acompanhando de forma ilustrativa, no Gráfico 1, a seguir, é possível visualizar a curva de evolução dos depósitos, comparando o Rio Grande do Norte, a região Nordeste e o Brasil:

 

GRÁFICO 1 – EVOLUÇÃO DOS DEPÓSITOS EM POUPANÇA NO RIO GRANDE DO NORTE, NORDESTE E BRASIL (JANEIRO/2006: BASE 100)

 FONTE: Banco Central

NOTA: elaboração própria
 

         De acordo com o Banco Central, os anos de 2006 e 2007 praticamente apresentaram idêntica evolução entre o Rio Grande do Norte e o Nordeste/Brasil, destoando um pouco mais nos anos de 2008 e 2009, quando o Nordeste teve maior desempenho nominal anterior.

         Sob outro aspecto, dado revelador da propensão a poupar no Estado surge quando avaliamos a média, por habitante, de volume em depósitos e constatamos que o Rio Grande do Norte tem o terceiro melhor desempenho da Região, conforme a Tabela 3:

 

TABELA 3 - MÉDIA PER CAPITA DE DEPÓSITOS EM POUPANÇA NOS ESTADOS DO NORDESTE, em 2009 (EM REAIS)

ORDEM
ESTADO
VALOR R$
 
ORDEM
ESTADO
VALOR R$
Sergipe
1.151,39
 
Ceará
740,15
Pernambuco
946,08
 
Alagoas
683,01

Rio Grande do Norte

841,57
 
Piauí
690,32
Bahia
827,23
 
Maranhão
510,21
Paraíba
808,28
 
--
Nordeste
790,41
FONTE: Banco Central

NOTAS: depósitos em poupança em dezembro; estimativa do IBGE da população em 2009; elaboração própria

 

         O Rio Grande do Norte, com R$ 841,57, em média por habitante, está bastante acima do valor obtido para o Nordeste (R$ 790,41) e de outros estados com economia mais forte e repetidamente referenciados pelos investimentos do setor privado, como Bahia ou Ceará, por exemplo; com este último a distância é de aproximadamente 14% em desfavor do Estado vizinho. A diferença de ritmo de crescimento de depósitos em poupança no período mais recente, como visto anteriormente, entre o Nordeste e o Rio Grande do Norte mostra, na verdade, uma aproximação dos valores aqui alcançados, ou seja, mais uma recuperação de defasagem do que caminhos opostos nesse indicador econômico.

 
 
O 13º SALÁRIO DESTINADO À POUPANÇA

         Há de se destacar também a expressiva utilização de parcela do 13º salário como forma de poupança, contrariando a idéia comum de sua utilização quase exclusivamente para compras em final de ano ou para quitação de débitos acumulados ao longo do ano; da mesma forma, os depósitos em poupança nos meses de dezembro não tornaram-se saques em janeiro/fevereiro, meses tradicionais de maiores contas para a população, tais impostos (IPTU ou IPVA, por exemplo) ou despesas escolares. Há, de fato, por parte dos brasileiros, uma destinação exclusiva de parte do seu 13º reservada para formação de poupança.

         No Rio Grande do Norte os meses de dezembro são o de maior crescimento – e, portanto, de maior aporte – no total de depósitos. Nos anos de 2006 a 2009, para os meses de dezembro, o aumento (em valores nominais, já incluída a correção sobre o mês anterior) foi o seguinte:

·         2006 – R$ 76,0 milhões

·         2007 – R$ 95,0 milhões

·         2008 – R$ 69,5 milhões

·         2009 – R$ 96,9 milhões

         Curiosamente, aqui no Estado, outro mês de resultado mais efetivo repete-se em julho, quando há forte aumento do volume de depósitos. Em 2006, R$ 49,7 milhões, em 2007, R$ 41,3 milhões, em 2008, R$ 40,5 milhões em, em 2009, o melhor resultado de todo o ano, R$ 82,4 milhões. Provavelmente, este outro efeito diferenciado no tempo deve-se às políticas públicas dos governos estadual e municipal (sobretudo na Capital), de antecipar parcela do 13º em julho; e, a população, utilizando-se da mesma estratégia do final do ano, destina parcela dos salários para o “não-consumo” imediato.

 
 
A CRISE FINANCEIRA GLOBAL DE 2008

         A crise financeira internacional, que teve sua data fatídica em 15 de setembro de 2008, quando o banco norte-americano Lehman Brothers “quebrou”, provocou efeitos em todas as economias nacionais, embora algumas de forma mais direta e imediata – principalmente os Estados Unidos, em função da bolha de especulação imobiliária – e outras de forma aparentemente mais reduzidas ou com efeito diferido no tempo. No Brasil, o impacto maior esteve na redução os investimentos estrangeiros no País e na retração do turismo internacional, além de leve redução nos níveis de emprego, fatores que, em conjunto, também viram-se replicadas nas economias locais de cada Estado, indistintamente.

         Estudando exclusivamente o período pós-crise financeira, isto é, entre setembro/2008 e dezembro/2009, temos o Gráfico 2, abaixo, que identifica as variações no Rio Grande do Norte e seus comparativos com o Nordeste e o Brasil:

 

GRÁFICO 2 – CRISE INTERNACIONAL DE 2008: IMPACTO NA EVOLUÇÃO DOS DEPÓSITOS EM POUPANÇA NO RIO GRANDE DO NORTE, NORDESTE E BRASIL (SETEMBRO/2008: BASE 100)

FONTE: Banco Central
NOTA: elaboração própria
 

         Neste período, os valores aplicados na poupança assim variaram:

·         RN -19,39 %

·         Nordeste – 25,19 %

·         Brasil – 23,85%

         Após o início das especulações sobre os efeitos de setembro/2008, no que se refere aos depósitos em poupança, o Rio Grande do Norte foi mais afetado, visto seu pior desempenho anual estar acontecendo ao longo de 2009, quando nos meses de março, abril e outubro, houve uma redução do volume total de depósitos; diferentemente, inclusive, da região Nordeste (queda apenas no mês de março) e do Brasil, em que o saldo final da poupança não apresentou recuo em nenhum dos meses pós-crise. Embora, se considerarmos exclusivamente a diferença entre novos aportes (depósitos) e retiradas (saques), o Brasil teve saldo negativo nos meses de fevereiro e abril de 2009, também sob o efeito da crise financeira internacional (aqui é importante entender a ressalva metodológica deste trabalho: os únicos valores disponibilizados pelo Banco Central, para os Estados são somente os de valores totais de depósito, assim calculados: depósitos no mês anterior acrescidos de correção e de novos depósitos, reduzidos os saques; não são publicados os valores apenas de novos depósitos e de retiradas).

         O efeito sobre o Rio grande do Norte parece estar mais vinculado às recentes características de abertura internacional da economia local, justamente o aspecto de maior impacto negativo após setembro/2008, o recuo dos investidores estrangeiros. A diminuição da entrada de novos capitais e o temor dos efeitos da crise, principalmente quanto a sua duração, provocou uma reação mais conservadora e pode ter afetado, consequentemente, a crescente distribuição de riqueza no Estado (até o primeiro trimestre de 2008 os índices de depósito em poupança eram bastante similares entre o Rio Grande do Norte, Nordeste e o Brasil). Assim, pelo menos em tese, é possível estimar que a retração de lançamentos imobiliários para o público estrangeiro neste período mais recente trouxe um impacto negativo na tendência de crescimento em que o Rio Grande do Norte projetava suas taxas de expansão.    

         Mas, por outro lado, é importante ilustrar o contexto nacional da evolução da correção dos depósitos em poupança, em nítida queda em relação aos anos mais recentes. Observa-se que os anos de 2007, anterior à crise, e o de 2008, afetado no último trimestre, foram os de menor índice de correão da poupança no Brasil e 2009, o pior de toda a década:

·         2003: 11,21%

·         2004:  8,10%

·         2005:  9,21%

·         2006: 8,40%

·         2007:  7,77%

·         2008:  7,90%

·         2009:  7,05%

         Certamente, este fato isoladamente não explica a diferença entre os níveis de crescimento dos depósitos entre o Rio Grande do Norte, o Nordeste e o Brasil, mas pode ser um indicador de que, com a forte redução do investimento no setor imobiliário por parte de estrangeiros, tenha se deslocado parcela da renda no Estado para esses imóveis, que passaram a ficar com preços mais oportunamente semelhantes ao mercado interno; ou seja, um redirecionamento do mercado imobiliário buscando atrair, de forma mais intensa, os compradores os norte-riograndenses.

 
 
CONCLUSÃO

         O crescimento da economia do Rio Grande do Norte foi alavancado, no período recente, pelos investidores estrangeiros e pelo turismo internacional, com aporte de novo capital e uma maior circulação de riqueza em todos os setores da nossa economia. Os depósitos em poupança, se avaliados como critério de percepção de crescimento da renda/rendimento (ressaltando as divergências de escolas entre os economistas), mostram que o Rio Grande do Norte estava bem alinhado à média da Região e do País, sobretudo até o ano de 2007; no entanto, embora esteja expresso um nítido crescimento até o ano de 2009, avaliado sob essa ótica, o Estado distanciou-se do impulso do restante do Brasil em conseqüência de fatores absolutamente externos: valorização do Real face ao Euro e conseqüente redução do turismo internacional e crise financeira global em final de 2008 com a inevitável e conseqüente redução de investimentos estrangeiros.

         Essa indiscutível realidade externa, meros efeitos da globalização, parecem ter trazido um resultado menos esperado na economia local, minimizado, provavelmente, pelo deslocamento da poupança para aquisição de imóveis (realinhamento do setor imobiliário, saindo do foco dos estrangeiros).

         Mas, o fato positivo nessa série histórica está no desempenho do mês de dezembro de 2009, pois foi o que representou, em termos nominais, o maior crescimento no depósito de poupança no Rio Grande do Norte, com cerca de R$ 96,9 milhões a mais do que o mês de novembro. O final de 2009 revela recuperação deste instrumento bancário mais popular, seja como meio de aplicação financeira, seja como forma de garantia de patrimônio. Ao que indicam os números finais de 2009, o Rio Grande do Norte deverá reforçar esses indicadores econômicos para os próximos meses.

         E, de fato, percebe-se que a internacionalização do Estado é importante para o crescimento e desenvolvimento sócio-econômico mais efetivo e duradouro.

 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS

Banco Central do Brasil (www.bacen.gov.br)

Caixa Econômica Federal (www.caixa.gov.br)

IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (www.ibge.gov.br)

Ministério da Fazenda (www.fazenda.gov.br)

 

   

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